O Príncipe Cruel | Holly Black | Resenha

por Nilda de Souza

O Príncipe Cruel, Holly Black, Galera Record, foi uma leitura muito agradável. Ele tem uma linguagem ágil, com diálogos afiados. Um mundo interessante, com seres cruéis, mesmo não sendo original. Só teve umas poucas coisas que me incomodam.

Em O Príncipe Cruel, uma família é vítima de uma grande violência. Os pais são friamente assassinados e três crianças são levadas para um mundo mágico de fadas, férricos, numa dimensão, não tão oculta, ao lado da nossa.

O tempo passou. As três crianças cresceram com o assassino dos pais, um general do exército do reino feérico. Ele criou as crianças como filhas, na verdade uma delas é filha sanguínea. Ele também as treinou, mandou para a escola, frequentada pela elite local.

Jude é gêmea com Taryn, Vivienne é a filha mestiça. As três têm personalidades muito diferentes. Vivienne é a feérica rebelde que só quer viver no mundo dos humanos.  Taryn tenta se adaptar seguindo as regras. Já Jude é destemida, quer fazer parte daquele mundo se integrar, ser aceita, nem que para isso tenha que se aliar a pessoas não muito confiáveis. 

A vida das humanas no mundo feérico não é fácil. No colégio, se é que podemos chamar assim, Jude e Taryn sofrem Bullying o tempo todo.  Cardan, O Príncipe Cruel, lidera um turma de feéricos que não as deixam em paz. 

Seres lindos e cruéis

O Príncipe Cruel é o tipo de fantasia para jovens leitores que tem todos os elementos para conquistar seu público logo nas primeiras páginas, principalmente as leitoras que gostam de início de romance um tanto quanto conturbado. Eu confesso que fico sempre com um pé atrás com esse tipo de premissa. Acho perigoso, pois há uma linha muito tênue para descambar para romance tóxico.

Bom, mas eu não quero focar no romance. O mais importante, pelo menos para mim, é a construção da personagem Jude. Uma mulher arquitetando um plano de poder para si. Muito, muito interessante mesmo. O mundo em que ela vive não gosta de sua espécie. Ela corre perigo, mesmo sendo considerada filha de um influente general. Mas há meios para que ela possa se defender por si só.  Uma das maneira seria obter proteção por meio de um casamento, mas quem disse que Jude vai seguir essa caminho. O problema é que no meio de tudo isso, há traições, mortes. As coisas nunca são o que perecem ser.

Uma personagem estrategista

Jude e a irmã foram treinadas para luta, mas também foi treinada para pensar, estratégia política e de guerra. E esse é o grande diferencial dessa personagem. Ela é inteligente, tem visão, pensa rápido.

Um ponto que me agradou muito em O Príncipe Cruel é que Jude reflete sobre seus sentimentos em relação ao homem que a criou, o tal general. Ela tem sentimentos conflituosos. O cara matou os pais dela, mas criou como filha. 

A relação dela com as irmãs é interessante também. Vivienne, que não apareceu tanto, no final tem um papel importante. Já Taryn, confesso que tentei entendê-la, mas não consegui. Taryn é o que a gente chama de sonsa, eu acho. Posso até mudar esse sentimento no próximo livro. 

Leiam O Príncipe Cruel! Eu estou ansiosa pela continuação.

 

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10 comentários

Bianca Ribeiro setembro 12, 2019 - 11:03 am

eu adoro fantasias e tem tanta gente falando desse livro que chega que eu tô ficando desesperada pra ler hahahahahah
Achei bem interessante a coisa dos diálogos, eu tenho problemas com livros com muitos diálogos porque eles me deixam meio revoltada, e acabam me cansando.
Ele foi bem classificado, quem sabe agora eu começo a ler né?!
Amei o post!

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Michelle setembro 12, 2019 - 11:57 am

Olá a obra é novidade para mim, e fiquei bem curiosa pela leitura é ótimo saber que e-book, adorei seu método de avaliação dos livros, até breve!

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Feminino Casemiro setembro 13, 2019 - 12:17 am

Olá!
Eu adoro a Holly Black e então quando vi esse livro pela primeira vez já desejei na hora. Ainda desejo.
Não tinha nem lido a sinopse, então é a primeira vez que entro em contato com a história dele. Gostei bastante, apesar de não ser o tipo de leitura que tenho normalmente.
Gosto de personagens bens construíveis que vivem em situações extremas.

Silviane Casemiro
Blogueiras Cansadas@Blogueiras.Cansadas

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Nilda de Souza setembro 17, 2019 - 9:35 pm

Eu também gosto de história mais sombria, mas entendo que ela escreve para um público mais jovem, que gosto do casal que inicia brigando mas acaba se entendendo no final.

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Carol Nery setembro 13, 2019 - 12:21 am

Se não me engano, eu só li um livro da autora. O Boneca de Ossos. E adorei! Eu gosto de uns infanto juvenis de vez em quando para que eu me desafogue das minhas leituras pesadas. Funciona bem. Achei bem isso que você disse da escrita da autora. Dá pra levar bem tranquilamente, porque flui bem demais.
Fiquei curiosa por conhecer mais essa história. E eu gosto de tudo que tem continuações… hahahaha
Beijos

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Nilda de Souza setembro 17, 2019 - 9:33 pm

Eu ainda não tinha lido nenhum da autora. Eu gostei da linguagem, que fui bem. A protagonista tem característica interessante.
Beijos!

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Marijleite setembro 16, 2019 - 5:38 pm

Oi, esse é um livro que estou bem curiosa para ler. Acho super interessante isso de as irmãs terem sido levadas para o mundo feérico e como elas vão viver nesse lugar que não é o delas. Amei conferir suas considerações sobre a obra.

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Nilda de Souza setembro 17, 2019 - 9:29 pm

Obrigada pela comentário. Tem aspectos nesse livro é bem interessante.

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Debyh setembro 17, 2019 - 12:14 pm

Olá,
Como um primeiro livro eu achei interessante o reino das fadas, a hierarquia da nobreza e algumas coisas mágicas também foram legais. Mas achei tudo bem na média quero acreditar que o próximo vai ser bem melhor.

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Nilda de Souza setembro 17, 2019 - 9:29 pm

Eu gostei mais desse do que Corte de Espinhos. Mas claro, é uma fantasia para um leitor jovem, com todos os elementos para conquistar esse público.

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