Resenha || O que é lugar de fala? | Djamila Ribeiro

por Nilda de Souza

Eu estava ansiosa para ler O que é lugar de fala?, livro da filósofa e feminista Djamila Ribeiro, e poder entender melhor o termo ‘lugar de fala’. Esse é um conceito muito usado pela militância de movimentos feministas, negros, LGBT em discussões nas redes sociais, mas eu confesso que às vezes me sinto confusa, sem entender bem o significado. Depois da leitura entendi o motivo da minha confusão, isto porque, segundo Djamila, há um certo esvaziamento do termo. E que muitas vezes ele é usado para tentar calar o outro.

Quando falamos de direito à existência digna, à voz, estamos falando de locus social, de como esse lugar imposto dificulta a possibilidade de transcendência. Absolutamente não tem a ver como uma visão essencialista de que somente o negro pode falar sobre racismo, por exemplo.

Djamila Ribeiro

Feminismo é um dos temas que mais estudei no último ano, mas ainda tenho muito que evoluir. Para o ano de 2019, eu tenho uma lista de livros que quero ler. É um mini desafio com 10 livros. Na lista tem:

  1.  Clube da Luta Feminista, Jessica Bennet
  2. Um teto todo seu, Virginia Woolf
  3. O segundo sexo, Simone de Beauvoir
  4. Homens explicam tudo para mim, de Rebecca Solnit
  5. Mulheres que correm com lobos, Clarissa Pinkola Estés 
  6. Persépolis, de Marjane Satrapi
  7. O que é empoderamento? (Feminismos plurais), Joice Berth
  8. 7 “Mulheres, raça e classe”, Angela Davis
  9. Para Educar Crianças Feministas, Chimamanda Ngozi Adichie
  10. O Feminismo é Para Todo Mundo: Políticas Arrebatadoras”, Bell Hooks

O que é lugar de fala? Feminismo negro

Em O que é lugar de fala?, Djamila nos ajuda a compreender os pontos importantes do conceito lugar de fala e as implicações deste.  Antes de falar propriamente do conceito, a autora apresenta uma perspectiva histórica do feminismo negro, para que o leitor possa ter uma compreensão mais ampla das questões que envolvem grupos marginalizados. Para isso, autora buscou embasamento teórico em intelectuais como  Patricia Hill Collins, Grada Kilomba, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Sueli Carneiro. Djamia revisita a história tanto no plano internacional quanto no local.

O que eu mais gostei nessa leitura é que a gente consegue perceber que a autora não é extremista. A leitura é um diálogo. Djamila não quer de forma nenhuma impor verdade universais. No mesmo instante a gente consegue sentir uma real vontade de dar voz a grupos historicamente marginalizados, romper com hierarquias, sem com isso impedir de que outras vozes falem.

 

O que é lugar de fala? é uma edição é em formato de bolso e segue uma estrutura de artigo cientifico, um ponto que pode incomodar ou dificultar a leitura para algumas pessoas. Eu não tive dificuldade, pois apesar de ter essa estrutura acadêmica, a linguagem é clara, simples, cuidadosamente escrita para facilitar a compreensão. O que é lugar de fala? faz parte da série Feminismos plurais. Outros livros da série já publicados são: O que é encarceramento em massa?, O que é empoderamento?.

O que é lugar de fala? é um livro indicado para quem está iniciando nos estudo sobre feminismo, feminismo negro, racismo, LGBT, grupos minoritários.

Posta relacionado: Clarice Lispector para meninas e meninos – Coleção Antiprincesa 

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7 comentários

Jis Rocha abril 29, 2018 - 10:04 am

Ola
Livros assim são ótimos, não somente para quem está estudando, mas para o publico em geral que tem vontade de aprender algo, principalmente se o conteudo, mesmo acadêmico, paraça ser um bate papo, de uma forma onde qualquer um possa entender.
Gosteido post e a foto também.
Bjus

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Clayci Oliveira abril 29, 2018 - 5:48 pm

Segunda resenha que eu encontro sobre este livro e estou vendo que terei que dar uma chance para a leitura.
Adoro essa discussão e acho essencial inclusive.
Já vou buscar e adicionar na lista de desejados <3

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Fernanda Santos Barroso abril 29, 2018 - 10:29 pm

Olá!
Apesar de achar o tema desse livro bem interessante, confesso que o meu interesse em o ler não é muito, pois a forma como ele é escrito não me chama atenção (como texto científico). Mas acho bem legal para quem gosta e saber que livros assim estão ganhando espaço é bem legal também.

Abraços

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Viviane Dutra abril 30, 2018 - 1:21 pm

Oi Nilda, devo confessar que não entendo muito destes movimentos feministas e do tal “empoderamento” que tem sido bem falado ultimamente. Esta leitura parece agradável, já que tu mencionou que a autora não impõe nada, apenas conversa sobre o assunto. Mas eu acho bem importante estes assuntos serem discutidos, principalmente para evitar os preconceitos e o racismo.
Bem interessante tua dica de leitura.
Bjos
Vivi
http://duaslivreiras.blogspot.com.br/

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Luisa Lopes abril 30, 2018 - 7:48 pm

Li uma resenha recentemente sobre esse mesmo livro – e a resposta foi bem positiva, como a sua.
Apesar de eu mesma não o ter lido, considerando o tema, acho muito importante que esse livro tenha tantas respostas positivas.
Ainda melhor que, apesar de ser um conteúdo acadêmico, sua escrita seja acessível aos “leigos”.

Ótima resenha (aliás, adorei a forma que você utiliza para dar notas aos livros que resenha)

Beijos,

http://www.degradeinvisivel.com.br

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Camila de Moraes maio 1, 2018 - 7:21 pm

Olá!
Parece ser uma história com bastante pontos para reflexão sobre questões da sociedade com temas bem atuais. E só isso me deixa com vontade de realizar a leitura. Talvez por ser uma leitura mais intensa no momento vou deixar a dica anotada, mas quero ler em breve.
Beijos!

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Tatiany Salazar maio 3, 2018 - 8:13 pm

Admito que não curto esse tipo de livro, mesmo tento um belo conteúdo, mas a leitura para mim não consegue fluir, mas eu adoro ler resenhas hahahahha e adorei a sua, muito bem escrita. Vou anotar a dica, vai que um dia a leitura rola hahha.

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