Resenha || Nimona | Noelle Stevenson

por Nilda de Souza

Desde que a Intrínseca lançou Nimona que queria ler. Essa HQ me chamou atenção por trazer uma personagem fora dos padrões – ela não tem o corpo estonteante que, infelizmente, é o que ocorre com a maioria das personagens femininas da cultura pop. E é muito triste saber que elas, super-heroínas, são assim produzidas para atender a uma demanda masculina.

Mas eu rezo para a deusa Afrodite para que um dias as coisas mudem. Pelo menos em quadrinhos com uma pegada mais literária a gente consegue ter uma experiência multimodal bem diferente da dos personagens de super-heróis. É o caso de Nimona, por exemplo.

Mas vamos a um pequeno resumo da narrativa

Nimona se candidata a parceira do vilão Ballister Coração-Negro. Ballister se ver relutante em aceitar essa parceria, pois Nimona é apenas uma garota, aparentemente. Digo aparentemente porque Nimona é na verdade uma matamorfa, ela pode se transformar em qualquer ser. Ocorre que Coração-Negro não é bem um vilão que Nimona imagina.

E os mocinhos dessa narrativa não são bem o que nós, leitores, esperamos dos mocinhos. Sir Ambrosius Ouropelvis, um dos mocinhos, é ex-amigo de Bellister. Ouropelvis trabalha para Instituição de Heroísmo & Manutenção da Ordem, que é comandado por uma mulher, a Diretora.

Ler essa graphic novel, mesmo que no kindle, que eu não acho ideal para hqs, foi uma experiência maravilhosa. Uma leitura que atendeu minhas expectativas.

O fato de Ballister Coração-Negro não ser um vilão Vilão que Nimora espera acaba que rendendo ótimos diálogos, tornando a história fluída e com um certo humor. Nimona é uma uma anti-heroína que não precisa se justificar para ser o que é. Ela tem ideias bem malignas para acaber de vez com os inimigos de Coração-Negra. Mas, ao mesmo tempo, ela acaba desenvolvendo um relacionamento muito bonito com Ballister.

Nimona é uma personagem interessante porque é nebulosa, além de ser um tanto quanto misteriosa em relação a sua origem, seus poderes. O final fica em aberto, o que dá pra gente torcer por uma continuação.

Com certeza eu vou comprar a edição física, pois o projeto gráfico é tão bonito que é impossível a gente não quer tê-lo na estante (li no Kindle, por isso não vou falar espercificamente sobre a edição).

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