Resenha || As Sobreviventes | Riley Sager

por Gaby Marques

Hoje a resenha é sobre um dos lançamentos mais divulgados da editora Gutenberg esse ano, o thriller As Sobreviventes (Final Girls, no original). O livro foi muito elogiado lá fora, inclusive por escritores como Stephen King e Lisa Gardner, dois autores best-sellers que entendem bem do gênero. Como boa fã de thrillers que sou, e depois de tantos comentários elogiosos sobre ele, e mesmo não sabendo muito sobre a trama em si (gosto do suspense), fui realizar a leitura.

Neste livro conhecemos Quincy Carpenter, mais conhecida entre os meios midiáticos como uma das garotas remanescentes.  Únicas sobreviventes de massacres. O fato é que o passado de Quincy sempre irá voltar para atormentá-lla, e das piores formas possíveis. Como se não bastasse a dor das perdas que sofreu e ainda o trauma que carrega, a mídia faz questão de não deixá-la de fora sempre que algo parecido com o seu próprio pesadelo acontece de novo.

“Ela corria por instinto. Um alerta inconsciente de que precisava continuar, independentemente do que acontecesse.”

Há dez anos Quincy e seus colegas universitários foram comemorar o aniversário de um deles em um chalé afastado, no meio da floresta; sem telefone, sem distrações. Todas as atenções estão na aniversariante e na noite incrível que aquele grupo terá. Mas as coisas não foram como eles planejaram. No lugar de uma noite de festa e muita bebida, eles foram vítimas de um terrível massacre. Todos morreram, menos Quincy, que se livrou com algumas perfurações. Os detalhes daquela noite traumática fugiram da mente de Quincy assim que ela foi resgatada, e ela nunca lembrou de fato tudo o que antecedeu sua fuga. Mas o que ela lembra já é o suficiente para assombrá-la todos os dias.

Agora, com uma vida estável, um relacionamento promissor e um trabalho que ela adora (ela é confeiteira e escreve um blog sobre isso), Quincy não espera que seu passado venha a tona novamente, mas ele vem, e com toda a força. Depois que uma outra Garota Remanescente é encontrada morta, o pesadelo retorna.

“Sou criação dele, forjada em sangue, dor e no aço frio de uma lâmina. Eu sou uma Garota Remanescente, porra”.

As Sobreviventes: Leitura envolvente

Não vou contar mais nada da história, pois acredito que entregar muitos detalhes da trama interfere bastante na leitura de livros como esse, onde o suspense é o principal. A narrativa segue o ponto de vista de Quincy, e os capítulos são intercalados entre presente e passado. A escrita da Riley Sager é bem envolvente e ela consegue manter o leitor preso do início ao fim, mas infelizmente a estória em si não me fisgou tanto.

Personagens pouco cativantes

Quincy é uma protagonista que não me convenceu no início, e demorou muito até que eu me acostumasse com sua personalidade, sua voz narrativa. A trama tem muitos altos e baixos; em alguns capítulos várias revelações, para depois se passarem outros dez sem nada realmente interessante, só a repetição de alguns fatos, o que foi cansativo para mim. Não larguei o livro até concluir, mas neste ponto eu já tinha uma ideia de como seria o desfecho, e, pessoalmente, foi brochante.

Esse não é um livro ruim, mas está longe de ser sensacional, ou mesmo o melhor do ano, como King afirma na capa. Eu indico a leitura para leitores iniciantes no gênero, ou para quem procura uma leitura rápida e envolvente. Lembrando que esta é a minha opinião pessoal sobre a obra. Vi muita gente que amou, inclusive pessoas com quem convivo, e tive bons debates com elas. Indico que façam sim a leitura, mas que não vá com tanta expectativa, como eu fui 🙂

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8 comentários

Crystal Spinelli outubro 26, 2017 - 10:27 am

Poxa, que pena que não obteve uma nota tão alta, gab!
Fico meio bleh com livros que são arrastados tb kkk Não sou muito de dramas, mas às vezes curto lê-los…
Só não entendi uma coisa.. uma garota remanescente é uma sobrevivente de massacres ou crimes, certo? Dai existem várias dessas garotas no mundo, é tipo isso?

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Thainá Christine outubro 26, 2017 - 1:50 pm

Olá!
Assim que as resenhas desse livro começaram a sair me senti bastante curiosa para lê-lo e conhecer a história, mas, agora lendo a sua resenha imagino que alguns pontos possam me irritar. Você falou sobre repetição e capítulos sem muito sentido, e eu não gosto disso em uma leitura. Repetições me deixam bastante irritada e faz com que eu me sinta burra, pois parece que o autor fica repetindo porque, supostamente, não entendemos na primeira vez. Eu até gosto de narrações em 1º pessoa, ainda mais quando narrador não é confiável, mas, é preciso que o personagem saiba narrar. Não adiantar ser o narrador e trazer apenas tédio para os leitores, né?
Ainda quero ler esse livro, mas, como você disse, não irei com tantas expectativas. Quem sabe um dia quando a lista de leituras estiver menor.

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Grazy Bernardino outubro 27, 2017 - 2:51 pm

Esse negócio de narrativa que fica relembrando o passado, tentando buscar memórias, me é desgastante. Parece interessante, mas não sei se leria por conta disso. Acho que tenho problemas com personagens desmemoriados, hihihihi. XoXo.

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Mari outubro 28, 2017 - 4:59 pm

Gostei da maneira como você apresentou essa história. Apesar de ficar um pouco curiosa para saber a conclusão dessa história após ler seu post, não é um tipo de leitura que me agrada no geral. Não costumo ler suspense, fico muito ansiosa lendo.
Beijos
Mari
Pequenos Retalhos

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Nati Rabelo outubro 28, 2017 - 11:42 pm

Oie!
Algo que eu levo pra vida, nunca ir pra uma cabana/chalé isolada no meio do nada hahah. Sempre dá problema!
Confesso que eu tava super afim de ler esse livro, mas com sua resenha vou ficar mais na defensiva e deixar pra ler bem mais pra frente.

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Erika Monteiro outubro 29, 2017 - 1:12 am

Oie, tudo bem? Pelo enredo do livro ele parece ser incrível. O meu gênero favorito é suspense então sou suspeita no julgamento. Uma pena o livro ser cansativo em alguns momentos. Bons suspenses geralmente prendem nossa atenção e são bem dinâmicos. Quando o autor repete muito os fatos ou não desenvolve a história parece que ela não flui. Mesmo assim daria uma chance pra ler com certeza. Beijos, Érika =^.^=

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Bia Lourenço outubro 29, 2017 - 3:59 am

Quanto mais velha eu fico mais medrosa vou ficando também, mas acho que dou conta dessa leitura. hahaha
Uma pena o livro não ter uma personagem que cative e ser repetitivo, isso faz toda diferença na leitura.

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César Rezende outubro 29, 2017 - 9:22 am

Elogios do meu autor favorito? Talvez fique interessante! Certamente a sinopse da história me soa bem original, então eu ficaria curioso pra ler. Gostei também da sua dica sobre expectativa, e principalmente como sua resenha revela apenas o suficiente para decidirmos se vale a pena para nós ou não a leitura. Sou muito fã de narrativas intercalando passado e presente, mas nada fã de “acontece tudo agora pra nos próximos capítulos não acontecer nada”. Aliás, tenho a impressão que até em algumas histórias do King acontece isso, embora ele saiba “recompensar” a paciência do leitor.

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