Resenha || A Diferença Invisível | Mademoiselle Caroline e Julie Dachez

por Mayara Nascimento

A Diferença Invisível de Mademoiselle Caroline e Julie Dachez é uma Graphic Novel que trata de um assunto bem pouco discutido – a síndrome de Asperger – um tipo de autismo que tem sintomas diferentes aos do autismo conhecido por nós, mas que também tem muito em comum.

Aqui conhecemos Marguerite, uma mulher absolutamente comum – ao menos é o que parece, por fora – com uma rotina comum, ela trabalha em uma imobiliária, ama os animais e leva uma vida tranquila ao lado do namorado.

Não fosse pelo fato de Marguerite ter dificuldades nas relações com os colegas de trabalho, vizinhos, e até mesmo familiares, e ainda a sua dificuldade em sair da rotina e frequentar lugares movimentados e barulhentos, ela jamais teria percebido que não era igual às outras pessoas.

Marguerite está cansada. Cansada de ser julgada o tempo todo. Cansada  de tentar ser como as outras pessoas. Pessoas com as quais ela se parece por fora, nada mais. Cansada de tudo.

Quando decidiu entender o que tinha, Marguerite procurou muitos profissionais, e falou sobre as suas suspeitas de ser autista, porém, a maioria deles dizia que ela era perfeitamente ‘normal’, mas, nada a convenceu, e por isso, Marguerite começou a pesquisar por conta própria até chegar a síndrome de Asperger e a um profissional especializado nessa área.

Com a ajuda do profissional, de um grupo de pessoas diagnosticadas com a síndrome, e da dona da livraria onde Marguerite comprou muitos livros sobre autismo e a síndrome, que logo tornou-se sua amiga,  ela  passou a se entender e a informar as pessoas que não tinha nada de errado em ser portadora da síndrome de Asperger, que ser diferente não é normal, ser diferente é ser diferente e ponto.

Minhas Impressões sobre a Leitura

Nessa Graphic, temos o foco em uma personagem só e na descoberta que ela faz de si mesma, talvez pareça meio monótono, sem graça, mas não é, inclusive, eu diria que a discussão proposta é de extrema importância.

Qualquer debate sobre as diferenças na atualidade é considerado mimimi, exagero e drama, fico me perguntado por que é tão difícil aceitar a diferença – no outro – que foi o que aconteceu com a Marguerite, as pessoas tinham mais medo da diferença do que a própria diagnosticada. E ainda tem a questão da diferença estar muito ligada ao físico, se por fora não tem nada errado – perante o estabelecido como certo socialmente – logo, não tem nada de errado, a diferença de dentro, aquela que às vezes só nós sabemos que temos, não é vista, é invisível.

Essa leitura é daquelas que nos deixa inquietos, com vontade de saber mais, e com várias perguntas na cabeça, abordar um tema recente e quase desconhecido pela maioria das pessoas por meio de ilustrações e de uma história leve foi uma boa maneira de aproximar as pessoas da discussão acerca das diferenças, sejam elas físicas, neurológicas, raciais, de gênero…

Ahhhh… Ia esquecendo de dizer que a Graphic é autobiográfica, Julie tem a síndrome de Asperger e a partir das pesquisas feitas para entender mais sobre si, resolveu escrever o roteiro para que outras pessoas também possam saber mais sobre a síndrome.

Somos todos geniais, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ele passará a vida acreditando que é estupido.

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5 comentários

Grazi Souza setembro 30, 2017 - 1:59 pm

O assunto poderia ser clichê e meio “artigo”, Mas sendo graphic novel deu um ar especial. Gostei. O conteúdo o muito da minha formação. Vou ler pra ver se posso indicar.

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Jennifer Silva outubro 1, 2017 - 6:49 pm

Oi, Mayara! Nossa, que obra interessante! Eu não conhecia a Síndrome de Asperger, mas fiquei curiosa em saber mais sobre o assunto. Faz tempo que não leio um Graphic Novel e essa história parece ser bem envolvente. Sua resenha está incrível e me fez refletir bastante sobre o tema abordado, irei agora mesmo adicionar essa obra na minha lista. Bjss!

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Thayza Fonseca outubro 2, 2017 - 10:46 am

Olá!

Eu nunca li uma graphic novel, mas acho que começar por essa é uma boa pedida. Além dos romances e fantasias eu gosto de leituras que me acrescentam alguma coisa, me ajudam a ser uma pessoa melhor e conhecer mais sobre as pessoas e suas diferenças é um passo importante. Sua dica está anotada. Gostei bastante da resenha e do blog, parabéns.

Beijos

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Fabiana outubro 3, 2017 - 9:18 am

Ola Mayara, tudo bem?
Nossa é a primeira vez que ouço falar em a síndrome de Asperger. Achei a ideia do livro muito boa. Uma Grafic que aborda um tema tão importante de uma forma tão interessante. Eu não conhecia a obra, mas pretendo adquiri-la o quanto antes. Gosto muito de livros que abordem temas especiais como esse, é uma forma de nos manter informados e atentos, principalmente no meu caso, sou professora e conhecer a particularidade de cada aluno faz parte da minha profissão.
Amei a sua dica e resenha
Beijos

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Fábrica dos Convites outubro 3, 2017 - 9:37 pm

Oi Mayara, eu adorei a leitura deste livro, não só pela importância do assunto abordado, como também pela qualidade do texto. Achei muito interessante a forma como diferenciaram a Marguerite de antes de saber sobre a síndrome de Asperger e depois que ela sabe sobre a síndrome.
Bjsss

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