Resenha || Quinze Dias | Vitor Martins

por Gaby Marques

Quinze Dias traz a história de Felipe, um jovem de 17 anos que está no terceiro ano do ensino médio e não vê a hora de terminar os estudos e se ver livre do  bullying que sofre todos os dias no colégio. Ele mal pode esperar para passar os 22 dias de férias longe de tudo isso, dos comentários cruéis que ouve todos os dias sobre seu peso e das investidas de seus colegas contra ele,  quando poderá então baixar a guarda e relaxar assistindo seus seriados e filmes.

Felipe tem um crush enorme no seu vizinho, Caio. Eles foram amigos durante a infância, quando Felipe, aos 10 anos, ainda era considerado uma criança fofinha e podia mergulhar e brincar na piscina do prédio sem vergonha de mostrar seu corpo, e sem medo do que seus vizinhos iriam falar. Mas, com as crises da pré-adolescência, Felipe parou de ir pra piscina, onde antes era seu lugar favorito no mundo. Onde ele tinha um amigo.

Em seu primeiro dia de férias, finalmente, Felipe já tem tudo programado para esses dias de liberdade: irá maratonar séries e filmes como se não houvesse amanhã. Mas seus planos vão por água a baixo quando a campainha toca e ele se vê de frente com um Caio lindo e maravilhoso em sua porta, com uma mala enorme em mãos. É, a mãe de Felipe se esqueceu de avisar ao filho que o vizinho de cima iria passar os próximos 15 dias ali (QUINZE DIAS!!!).

“Agora você entende o meu desespero? Gordo, gay e apaixonado por um gato que nem responde ao meu “bom dia” no elevador. Tudo pode dar errado. Tudo vai dar errado. E eu não tenho tempo de pensar num plano de fuga emergencial porque a campainha está tocando. E minha mãe está abrindo a porta. E eu, claro, estou todo suado. Vai começar.”

Quinze Dias, do autor nacional Vitor Martins, é um livro sobre amizade, primeiro amor e auto-descobertas. Felipe é garoto extramente divertido e carismático, mas quando as pessoas olham para ele acabam vendo apenas o fato de ele ser gordo, e tentam a todo custo alertá-lo sobre isso. Como se ele não soubesse!

“Sempre fui gordo, e viver por dezessete anos no mesmo corpo me tornou um especialista em ignorar os comentários. Não estou dizendo que me acostumei. Ninguém se acostuma com lembretes diários de que você é uma bola de demolição. Só me acostumei a fingir que não é comigo.

Passar toda a adolescência ouvindo tanta crueldade e ter que lidar todos os dias com olhares tortos na rua fez com que Felipe acabasse se fechando em si mesmo, e sua ansiedade e problema com autoestima são o resultado de anos de insultos. Quando recebe Caio em sua casa, sua insegurança o acerta em cheio, mas aos poucos ele vai ver que Caio é muito, muito mais que um rosto bonito, e que ele mesmo é muito mais do que o que as pessoas o fizeram acreditar.

Essa foi uma leitura super divertida e muito envolvente

Li Quinze Dias em menos de 3 horas e fiquei completamente apaixonada, tanto pelos personagens maravilhosos e pela escrita leve e atual do Vitor quanto os temas abordados na trama. Acompanhar o crescimento do Felipe, suas descobertas e o desabrochar de seus sentimentos e desejos foi muito bonito, e intenso também.

Quinze Dias é todo narrado em primeira pessoa, o que nos deixa bem próximos do protagonista. E gente, ele é hilário! Ele tem sim suas crises (quem nunca?!), mas é impossível não gostar do personagem e se identificar com ele. As referências a Friends, Senhor dos Anéis e One Direction são muitas, e também outros livros e séries de tv fazem uma pontinha no livro.

 

“Ninguém vai nos proteger a não ser nós mesmos – ela diz como se estivesse lendo meus pensamentos. – Mas olha, Felipe, te juro que um dia as coisas melhoram. Um dia você aprende a gostar mais de quem você é, e isso vai refletir em como as outras pessoas vão te enxergar. Gente babaca vai existir para sempre, mas a gente aprende a resistir. E isso é o mais importante. Não abaixar a cabeça e lutar pelo que você acredita. Lutar pelo direito de poder casar com quem você ama, pelo direito de ter seu corpo respeitado independente de como ele é ou do que você está vestindo. Lutar pelo direito de andar na rua sem ser atacada pela cor da sua pele.”

Esse é daquele tipo de livro que começa maravilhoso e termina melhor ainda! A dedicatória por si só já é a coisa mais linda “Pra todo mundo que já entrou na piscina de camiseta”. Como não amar?

A edição está bem bonita, adoro essa capa e as cores dela. O próprio Vitor fez a ilustração! Não encontrei erros de revisão e edição.

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